Era uma vez uma moça que gostava de ser ela mesma. Contudo, como tudo na vida, ser sem parecer, para ela, tornava-se difícil. Pavoroso. Excruciante. Doía expressar aquilo que ela sentia. Sempre fora apaixonada por um certo garoto de olhos verdes, mas, como ele insistia em rodear outras paisagens, seu sentimento se retraía, e ser, somente ser, adquiria formas inatingíveis, ao passo que admirá-lo e cobiçá-lo não era mais suficiente: ela precisava tê-lo.
Um dia, não mais que de repente, qualquer força que rege o além, seja ela o que for, decidiu dar-lhe uma chance. Os olhos cor de esmeralda eram seus. Que tal a empreitada de experimentar ser a si mesma, e não a outrem? Ela tentou. E conseguiu. Os olhos não só a entendiam, como tinham o maravilhoso poder de fazê-la sentir-se completa, quer isso fosse obra de magia negra ou candomblé, ou somente resultado do encontro de almas gêmeas. De repente, Daniel não era somente 'Deus é meu Juiz', mas também 'Deus teve compaixão, me ama, e me enviou o meu presente'. Daniel não era somente o protetor daquela alma perdida, mas, muito mais que isso, ele representava o norte que aquela alma perdida procurara outrora em tantas, incontáveis bússolas. Ela o achara. Agora, ela o tinha. Para si, somente si.
De uma hora para outra, não mais que de repente, o mundo lhe parecia nada mais que completo.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
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